Cadernos Especiais / Suplemento Literário

Discurso - Altamiro de Moura Pacheco

12 de Julho de 2010 |

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Ao visitar Catalão - atalaia gloriosa da fronteira - terra da inteligência e da cultura goianas, onde brilharam os nomes estelares de Bernardo Guimarães, Roque Álvares de Azevedo (o popular Roquinho), Alceu Vitor' Rodrigues, Higino Rodrigues, Ricardo Paranhos e Gastão de Deus - só para citar os mais antigos - o meu pensamento se volta, de início, naturalmente, para o problema educacional das futuras gerações deste povo altivo e heróico, em cujo seio tenho implantada as raízes de meu sangue.
Educar, Senhores, não é, apenas, ensinar a ler' e a escrever. É algo de mais complexo. A moderna pedagogia encara o problema de modo integral, regulando a educação da cabeça com a do braço, a da alma com a do corpo, compreendidas a higiene e a profilaxia; em suma: educação física, intelectual, moral e religiosa.
Se é verdade que Catalão, em tal sentido, se tem adiantado bastante, dada a excelência de seus estabelecimentos de ensino e os rudimentos de mecanização de sua lavoura, não menos certo é que muito há que se fazer ainda, no sentido de proporcionar a sua juventude maior número de escolas rurais, segundo ciclo colegial e, pelo menos, um estabelecimento de ensino prático agropecuário.
Volvendo as suas vistas para a lavoura e a pecuária de Catalão, Goiás esta assegurando a sua própria economia.
Do município, cujas origens remontam aos dias gloriosos das primeiras bandeiras ainda no começo do século dezoito, não pode insular-se o Estado. Se o espanhol, que lhe deu o nome, abandonando Anhanguera, aqui ergueu a sua tenda-estaca zero dessa civilização de que se orgulha Goiás, fê-lo porque mais do que as pepitas de ouro - ímã que atraia as bandeiras sertões a dentro - empolgaram-no e seduziram-no a uberdade e possibilidades incontáveis do solo de Catalão.
E nos empolga e seduz a terra em que o trabalho é princípio elementar e dever sagrado do homem, desse homem que conforme revela a estatística, em 1918, produziu cento e vinte mil sacas de arroz, oitenta e três mil sacas de milho e setenta e duas mil sacas de feijão, sem falar em outros artigos.
E notamos que essa produção que poderá ser grandemente aumentada através da lavoura mecanizada, está bem talhada a ser a fonte de um grande parque industrial.
Sim, se Catalão já apresenta alto índice industrial, o que não se dizer no dia em que a industrialização de seus produtos puder ser "in loco", generalizada com o aproveitamento do seu soberbo potencial hidráulico?
Aí estão clamando pela ação do homem o que da providência prodigamente herdastes: referimo-nos às vossas cachoeiras do Mata Padre, a "Douradoquara", Funil ,e tantas outras, que somam uma energia aproximada de duzentos mil cavalos-vapor.
Desnecessário seria desdobrar aos vossos olhos todo um programa de governo, apontando cada uma das necessidades locais e os correspondentes remédios.
Homem do povo, e tendo-me dedicado, desde os mais verdes anos. ao estudo de economia goiana, conheço as vossas necessidades como se as sentisse em minha própria carne; e sem jactância vos afirmo que, mesmo dentro dos nossos apoucados recursos financeiros, podem ser elas supridas sem maior detença.
A vossa hospitalidade me comove e encoraja nesta memorável campanha, a caminho da vitória.
Ao agradecer-vos a estrondosa manifestação de apreço e carinho com que me honrais, de uma cousa podeis ficar certos: eleito, certamente, para o alto posto de Governador do Estado, o destino de Catalão será uma das minhas primeiras e constantes preocupações.
Ao nobre povo catalano, aqui deixo a expressão do meu mais profundo agradecimento.

* Primeiro ocupante da Cadeira n.º 26 na AGL.

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