Cadernos Especiais / Suplemento Literário

Folia de Reis em Campinas

26 de Julho de 2010 |

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Campinas, a "Campininha" de Bariani Ortêncio, José Mendonça Teles, de meu sogro Galdino, atleticano roxo. Tanta gente, tantas histórias. Campinas recebeu a Goiânia nascente, filha futurosa, esplêndida. Com humildade, Campinas se orgulha da Goiânia que a engoliu e transformou em bairro, esquecendo sua precedência em caminhos e horizontes. Com sabedoria antiga, tolera suas extravagâncias. Sorri satisfeita dos trejeitos art noveau da mega1ópole. Todo goianiense e também campineiro. Gostaria de percorrer uma de suas ruas antigas, sentar-se num alpendre ao fim da tarde, recordar os tempos seresteiros, quando Goiânia, dengosa, ainda sonhava nos quintais com namorados adolescentes. Assistir missa na Matriz. Torcer, mesmo com nariz sangrando, pelo Atlético, ajudando a remendar os panos de antigas glórias. No domingo passado, atravessei a cidade com meu passo de goianiense positivo para assistir ao VI Encontro de Folia de Reis em Goiânia. Deveria ser Encontro de Folias de Reis em Campinas, tenham dó! Apertei o passo, o acelerador.
Cheguei às nove horas. Perdi a alvorada, a missa e o café da manhã. Não sendo mineiro, não carrego culpa. Mas assisti à abertura oficial. Ali estavam muitas pessoas importantes. Primeiro, o Bariani, que só teve o umbigo cortado em Igarapava, mas cresceu, botou vulto abriu o canto foi aqui. Depois, o Secretário da Cultura do Município Kleber Adorno, com sua equipe, apoiou e ficou ali quase todo domingo. O professor Jadir Pessoa, com a francesa Madeleine Félix, lançou o livro As Viagens dos Reis Magos, abraço de ciência e tradição. O radialista Claudino Silveira, homenageado. Olha, caro leitor, que ficou mais pobre porque não viu aquilo ... Eram 44 grupos de folia. E prova. Não conseguem arrasar as tradições da gente. Veio folia de vários municipios, até de São Miguel do Araguaia, a mais de 400 quilômetros. Como manda a tradição, espocaram fogos. Havia padrinhos das folias. Gente graúda. Doma da Conceição, músico e folclorista. José Divino, aquela voz solene da TV Anhanguera. José Evaristo dos Santos, Fecomércio e Sesc/Senac, companheiro. Joveny Cândido, professor e arguto conhecedor das coisas goianas. Luiz Eduardo Jorge, da UCG. Paulo Beringhs, jornalista. Ulisses Aesse, mente brilhante daqui do DM. Wilmar Guimarães Jr., da Rádio Campanha. Durante todo o dia, agitaram as bandeiras, chiaram as violas, os tambores. Campinas, mais uma vez, dava um banho de cultura em Goiânia. Os foliões falavam de fée e de esperança. Ensinavam às autoridades apinhadas no palanque, às pessoas e aos meninos, que este país tem dono. Esse país tem sua caminhada, como a mítica romagem dos reis magos. Não sucumbirá à calhordice dos políticos e irá fazendo canção de vida e esperança com os sobejos das crenças que consagram a morte e hostilizam a vida.
DM Revista, 19-01-2007.

 

Folia de Reis em Campinas Ocupante da Cadeira n.º 2 na AGL.

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