Cadernos Especiais / Suplemento Literário

Helio Rocha: editorialista e biógrafo

26 de Julho de 2010 |

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Hélio Rocha talvez seja o mais brilhante dos editorialistas goianos. Atingiu a notoriedade como jornalista e como editorialista, uma vez que tem abordado, nos seus escritos, um conjunto de temas não só extraído do contexto socioeconômico-político regional, como de todo o País.
E tem exercido esse mister com muita profundidade. Platão, o grande filósofo da Grécia antiga, cujas sentenças contêm, apesar de terem sido escritas há mais de dois mil anos, a fonte da cultura e do saber de todas as nações hodiernas, dizia que "as coisas sensíveis despertam sempre a recordação das ideias".
O grande biógrafo se mostra, por inteiro, ao público quando alia suas qualidades de pesquisador a um grande senso de responsabilidade na reprodução dos fatos históricos enleados a vida dos personagens biografados. Recordar é viver de novo; e fazer vir à memória os acontecimentos do passado.
Hélio Rocha, ao lado de alguns brilhantes jornalistas de nossa terra, como Batista Custódio e Jávier Godinho, e muitos outros que agora não me vêm a memória, pertence à estirpe dos que tem, como preocupação primordial, à formação ética e social do seu público-leitor, porquanto, nos seus escritos, principalmente nos seus bem-delineados editoriais, sempre buscou pautar sua atuação, exercitar o seu mister, dentro de princípios verdadeiros, frente à vasta gama de problemas que aflige a nossa sociedade.
No seu Os Inquilinos da Casa Verde, o Hélio disseca, pacientemente, a vida desses moradores transitórios e efêmeros do Palácio das Esmeraldas, vultos que sobressaíram na direção dos negócios do Estado e que, cada um, a sua maneira, se destacou por seus atos, ideias e realizações obreiras em prol do desenvolvimento estadual, alguns deles, influenciando, por anos seguidos, os tinos políticos e administrativos de Goiás.
O livro não encerra o assunto. Aliás, na sua contracapa a assertiva de que ele sintetiza o período de 61 anos, entre abril de 1937 e abril de 1998, ou seja, do governo de Pedro Ludovico a Maguito Vilela.
Então, muita historia há que ser rememorada. De 7 de dezembro de 1889, início do período republicano, até ~ presente data, isto é, da Junta Governativa que governou Goiás, composta de Joaquim Xavier dos Guimarães Natal, José Joaquim de Souza e Eugênio de Melo até Helenês Cândido, dirigiram os destinos do nosso Estado nada menos do que 27 governadores, alguns deles, além da Junta Governativa de 1930, composta de Mário de Alencastro Caiado, Francisco Emílio Póvoa e Pedro Ludovico Teixeira, o conduziram por mais de duas vezes.
Mas, voltemos à obra do Helio.

O seu livro não se limita a apresentar biografias lineares e convencionais, aquelas que causam fastio e enfado nos leitores. Pelo contrário. A vida de cada personalidade e publicizada com o acompanhamento dos fatos e dados históricos da época, numa demonstração de que houve a preocupação seria por parte do autor e da sua equipe, da qual fez parte seu filho, o jornalista Bruno Rocha, em compilar notícias dos jornais e revistas, comentários políticos e, incrível, até os grandes eventos cinematográficos que fizeram o cinema mundial.
Desse modo, o objetivo do Hélio foi atingido nesse Os Inquilinos da Casa Verde.
E tamanha tem sido a procura deste livro, que temos a ousadia de afirmar que outras tiragens ainda serão feitas, por exigência daqueles que estavam a necessitar de uma obra didática e imparcial, que pudesse servir de referência aos estudiosos, principalmente, aos alunos das nossas escolas, hoje, infelizmente, tão distanciados da história político-administrativa da nossa terra.
Li o livro do Hélio de uma só vez. Não queria parar. A opinião final, entretanto, será a do prezado leitor, que, certamente, se ler a importante obra poderá compreender melhor essa fase cíclica da história goiana, tomando conhecimento dos fatos históricos e dos atos de governo dos ocupantes da curul governamental e que muito contribuíram para a grandeza do Estado de Goiás.
DM Revista - 20/12/1998.

Luiz Augusto Sampaio Ocupante da Cadeira n.º 16 na AGL.

 

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