Cadernos Especiais / Suplemento Literário

Inversão

26 de Julho de 2010 |

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Escondida em casulos de seda,
sou aranha à cata de um alvo:
armo ciladas, botes, laçarotes,
e o banquete nupcial preparo.
 
Paciente, espero minha caça ...
Que ela chegue voraz e sobranceira,
me tome nos braços, sequiosa,
e me ame em rituais profanos.
 
Insubmissa, faminta e permissiva,
ela veio, à sorrelfa, e se fez amante.
Pressenti o perigo, mas aceitei o jugo,
e, festivamente, lhe ofereci a ceia.
 
Após o amor, meu corpo esvaziou-se
e o silêncio o domou, algoz e oportunista.
Tentei fugir, em vão, já era tarde:
de caçadora, transformei-me em presa.

Lêda Selma Ocupante da Cadeira nº 14 na AGL

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