Editorias / Cidades
Duas famílias, dois dramas
Parentes e amigos de adolescente baleado na cabeça se dizem aliviados com prisão de suspeitos e pedem justiça Pais do suposto responsável por disparo se emocionam ao presenciar filho algemado dentro de viatura da polícia
Manh?e ontem. Nelson Fernandes Feitoza, pai de Felipe Feitoza, baleado quando sa?de shopping na noite de domingo, falava ao telefone. Estava na antessala de emerg?ia do Instituto Neurol?o de Goi?a e dizia: “Meu amor, tenho uma boa not?a: nosso filho est?om o c?bro desinchando.” Do outro lado da linha estava Telma Regina Borges Galdino Feitoza, m?da v?ma. A informa? acabara de ser obtida do m?co Walter Costa Filho, ap?ealiza? de uma tomografia computadorizada.
Nelson estava abatido, mas esbanjava otimismo. Nem mesmo o fato de o filho ter perdido massa encef?ca, permanecer na UTI em estado grave, sedado e respirando com a ajuda de aparelhos tirava a esperan?do empres?o. “Ele vai sair daqui. Temos feito muitas ora?s, recebido solidariedade de amigos e familiares. Confiamos nos m?cos e o Felipe merece viver. ?um ?o menino, filho carinhoso, estudioso e vai superar”, desabafa. Nelson espera uma puni? exemplar aos autores do crime contra Felipe, “para que repensem as atitudes”.
Fam?a e amigos compareceram novamente na ala de emerg?ia da unidade ontem. Ao serem informados que os suspeitos do crime haviam sido presos, Nelson e Telma se mostraram aliviados. Eles esperam que a justi?seja feita e que os culpados paguem pelo que fizeram. “Eles precisam pensar no sofrimento que est?nos fazendo passar. N?desejo mal a nenhum deles, apenas que a Justi?seja feita para servir de exemplo a outros jovens que saem de casa com inten?s ruins que podem abalar toda uma fam?a”, disse Nelson.
Do outro lado da hist?, outra fam?a tamb?sofre. Pai de Fabr?o Freitas Pacheco, suspeito de disparar a arma que atingiu Felipe Feitoza, Nilton Pacheco chorou ao falar da conduta do filho ?mprensa. “Nunca imaginei que ele pudesse fazer uma coisa dessa. Estou muito surpreso. Sempre tentei dar o melhor, ele ?om filho, companheiro”, falou chorando. Nilton disse que o ambiente da fam?a ?grad?l e que ele n?teria motivos para praticar crimes. “Eu realmente n?sei o que pode t?o levado a fazer isso.” Quando os suspeitos chegaram ?elegacia, a m?de Fabr?o tamb?estava no local.
Lucivaine Vaz de Freitas chorou muito ao ver o filho sair algemado da viatura. Ela n?falou com a imprensa e se mostrou bastante abatida. A fam?a de J? C?r Gon?ves de Ara? outro suspeito de participar do crime – ele dirigia o carro e era dono da arma – n?compareceu ?elegacia. Apenas o advogado do rapaz, Jo?Bosco de Carvalho Freire, esteve na DPCA. “A m?talvez n?venha porque est?uito abalada. A sa?dela ?raca e n?sei se conseguir?ir.” J? C?r ?ilho do advogado aposentado da Uni?Francisco ?don Alves de Ara?
“S?jovens de classe m?a que t?brigas como esporte”
Os dois suspeitos de terem disparado contra o estudante Felipe Feitoza, de 16 anos, foram apresentados ontem ?arde na Delegacia de Prote? ?rian?e ao Adolescente (DPCA). Fabr?o Freitas Pacheco e J? C?r Gon?ves de Ara? ambos de 23 anos, foram presos na quarta-feira (15) em Campo Florido, pr?o a Uberaba, no interior de Minas Gerais. A dupla estava foragida desde segunda-feira, quando foram expedidos os mandados de pris?preventiva. Eles haviam se escondido na casa da av?terna de J? C?r.
Os dois chegaram ?elegacia algemados, com as m? para tr? no porta-malas de um Fiat Palio Weekend, viatura da Pol?a Civil. Fabr?o Freitas vestia bermuda surfista, t?s Adidas e camiseta cinza, do time do Cruzeiro. Tatuagem no bra?esquerdo continha a frase: “Minha m? minha vida”. J? C?r tamb?vestia bermuda surfista, camiseta azul e amarela do time italiano Juventus e t?s Nike. Nenhum deles quis falar com a imprensa, mas, segundo a pol?a, eles passaram a viagem toda relaxados e conversando. Se calaram ao chegar ?elegacia, onde dezenas de pessoas, entre policiais, rep?res, cinegrafistas e fot?fos os aguardavam.
Fabr?o e J? C?r passaram a noite na cela da delegacia e ser?ouvidos ?10 horas de hoje. A delegada que preside o inqu?to, Adriana Accorsi, diz que, logo ap? conclus? eles ser?encaminhados ?asa de Pris?Provis? (CPP), o que deve acontecer ainda hoje.
Passagens
Os dois jovens suspeitos, apesar do sofrimento das fam?as, n?se mostram muito interessados na preocupa? dos pais. Prova disso ? extensa lista de passagens pela pol?a. A ?ma vez em que foram presos foi em 23 de abril deste ano, durante opera? realizada pela Delegacia de Repress?a Crimes contra o Meio Ambiente (Dema), para pegar pichadores de pr?os da Capital.
Conhecido por Da Lua, Fabr?o tamb?tem passagens por tr?co de drogas. J? est?atriculado no curso de Direito e tem apelido de Ral?Possui passagens por porte ilegal de armas, uso de entorpecente e disparo em via p?ca. O carro que dirigia no dia do crime teria sido presente da m?depois dessa ocorr?ia, de acordo com a delegada Adriana Accorsi.
As fotografias retiradas da p?na deles no site de relacionamentos Orkut revelam que a dupla levava vida de “playboy”, afirma a delegada Adriana Accorsi. “As imagens s? na maioria, sem camisa, ostentando o corpo. S?desses jovens de classe m?a, que frequentam academia, dizem que fazem faculdade, gostam de aparecer e t?as brigas como esporte”, disse a titular da DPCA. A delegada contou que os amigos afirmaram que Da Lua e Ral?ivem quase exclusivamente para as festas, sustentados pela fam?a, e que gostam de beber e brigar.
Fabr?o e J? C?r permaneceram em Goi?a at?egunda-feira, mas sem aparecer em casa. Resolveram fugir depois que os amigos revelaram que haviam prestado depoimento.
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