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Garimpo on-line

Mercado em expansão, brechós virtuais ganham novos adeptos pela variedade de artigos e precinhos camaradas. Saiba quem são as pessoas que os gerenciam e como escolher as lojas mais legais da rede para comprar sem cair em ciladas

07 de Julho de 2010 |

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Carolina Tulim
da editoria do DMRevista

Exagerou nas compras e está com o armário abarrotado? Enjoou de suas produções e quer dar uma cara nova ao guarda-roupa sem gastar muito com isso? Em tempos de crise e consumo desenfreado, a solução desses problemas pode estar no seu próprio armário. É que, embalada pela onda vintage que tomou conta do mundo fashion, dando às roupas garimpadas em brechós status de última sensação, a proliferação das vendas on-line de roupas e acessórios novos ou usados sofreu um aumento vertiginoso, desafiando a fronteira geográfica no escambo de peças muitas vezes exclusivas e tornando mais acessível a aquisição de artigos de luxo a preços populares.
Foi o armário cheio que levou a empresária Carolina Meireles, 30, e a diretora de marketing Luísa Fá, 30, a levarem suas peças pouco aproveitadas para o ambiente virtual. “Nós trabalhamos juntas numa loja de grife, e por isso acumulamos um guarda-roupa completamente abarrotado e repleto de peças bacanas. Até que, em julho de 2009, fizemos um bazar físico com as peças excedentes que foi um sucesso, todas as amigas compareceram e saíram contentes com as peças que levaram. Ainda assim, sobrou muita coisa”, conta Carolina, que atualmente divide com a amiga a condução do site de vendas on-line www.adorobrecho.com.br
A ideia surgiu durante uma pesquisa pelo mundo dos brechós online, que parecia carente de sites interessantes. “Descobri o universo destes sites e percebi que poucos continham peças bacanas, a maioria era muito poluído e sem um bom critério de seleção das roupas”, avalia Carolina. Para criar o Adoro Brechó, as cariocas contrataram Rodrigo Romano para cuidar do design e apostaram num site limpo e objetivo, que atualmente conta com cerca de 1.200 visitas diárias e contabiliza vendas de aproximadamente 200 peças ao mês. “Como nossa loja é o site, o principal (e único) investimento foi na aparência e facilidade de acesso do nosso endereço virtual. Depois que o jornal O Globo deu uma notinha sobre o Adoro Brechó, nossas vendas cresceram drasticamente e passamos a ter clientes muito fiés, que visitam o site diariamente”, comenta a empresária.
A maioria das peças expostas sai do próprio armário das duas sócias, mas muitas delas também são enviadas por fornecedoras espalhadas pincipalmente pelo Rio de Janeiro, onde residem. “Temos cerca de 30 fornecedoras fiéis, que nos enviam peças interessantes semanalmente. Nossa seleção é rigorosa, só postamos artigos que sejam realmente bacanas. Penso inclusive que este é o maior diferencial do site para outros do gênero”, avalia Carolina, que atualiza e inclui cerca de quatro novas peças todos os dias.
Outra ideia que deu certo foi o site Enjoei (e tô vendendo) (www.enjoei.com.br), gerenciado pela publicitária paulistana Ana Luiza McLaren, 27. “O Enjoei surgiu por conta de um apartamento pequeno e um armário apertado. Mais do que pela necessidade de vender, a necessidade mais forte era a de desocupar”, conta. Com investimento inicial de apenas R$ 140 para viabilizar o projeto, utilizado no pagamento de domínio e servidor, o site entrou no ar no dia 26 de abril de 2009. “No segundo mês contratamos uma pessoa para tocar a operação, responder aos emails e às dúvidas dos clientes. O volume ficou muito grande, não dava pra trabalhar e tocar o Enjoei no paralelo. Enjoadinho por natureza, demandou atenção exclusiva”, brinca Ana Luiza, autora dos textos divertidos e bem humorados que acompanham as peças e fazem o diferencial do site.
“A vantagem de comprar no Enjoei é que o ambiente de compra é agradável, os produtos são selecionados e a relação com o cliente é feita por pessoas, e não por um sistema. Como a gente seleciona o que entra no site, só entra o que a gente compraria. E essa fórmula tem dado super certo”, avalia a publicitária, que recebe uma média diária de 2.500 visitas. O principal meio de divulgação é a própria internet, através de ferramentas como o Twitter. “A gente usa o Twitter para divulgar as novidades do site e de fato parte significativa da audiência vem das pessoas que seguem o Enjoei. O bacana é que o cliente é que decide seguir a gente. Há um interesse real. E quando a procura é espontânea, a quantidade de cliques nas ofertas é maior e as taxas de conversão em vendas também”, conclui.

Via de duas mãos
Consumistas por natureza, a paulistana Any Wu, 31, e sua irmã Elice Wu, 26, tinham o costume de doar peças praticamente novas e bacanas. Até que um dia, navegando por sites de venda, encontraram diversos brechós on-line e passaram a ser adeptas, tanto da compra quanto da venda. “Começamos comprando de outros sites, até resolvermos vender nossas peças excedentes também. Primeiramente utilizávamos o Mercado Livre, mas lá existe uma burocracia enorme, os anúncios vencem e você precisa refazer o cadastro e ainda pagar uma taxa de quase 10% sobre as vendas. Para fugir disso e dar nossa cara ao site, criamos um blog gratuito com dicas de outras blogueiras. É interessante pois podemos nos desfazer do que não usamos mais e comprar novas peças de outros sites do gênero”, conta Any, que comanda desde fevereiro do blog Para Todos Bolsos e Gostos (www.paratodosbolsosegostos.blogspot.com).
Outra blogueira que utiliza as vendas on-line para poder desafogar o guarda-roupa e investir em novas peças é a blogueira Erika Cunha, 38, do blog Não Usei, Tô Vendendo (www.naouseitovendendo.blogspot.com). “Descobri o universo dos brechós on-line por mero acaso: futricando em alguns blogs para fins de pesquisa, me deparei com um blog  de brechó. Gostei tanto que acabei virando consumidora inveterada, afinal, os preços são tentadores! Por fim, por acumular muitas peças que não usava, resolvi fazer uma tentativa e abri o blog. Me apaixonei pelo processo de aconselhamento e venda, não é à toa que sou psicóloga. Adoro dar um palpite sobre as peças que vendo”, conta Erika, que afirma conhecer diversas clientes que acabaram abrindo seus próprios blogs também.
Segundo ela, os critérios de seleção das peças se baseiam em como a peça fica no corpo e se ela será usada ou não. “As peças que estão encostadas no armário, em geral, vão para o blog. Muitas vezes, o que está na moda e é lindo na Isabella Fiorentino, não fica bem em mim, então, esse é um critério importante. Cai bem em mim? Se não, vai pro blog! Tenho muitas peças parecidas com essa? Comprei e não usei? Então vai para o blog! Assim meu guarda-roupa vai se reciclando e estou sempre comprando algo novo com o dinheiro que entra”, conta.

Compradores inveterados
Desde que a internet começou a se tornar acessível e prosperar no sentido comercial, o professor de física Cristiano Marquez é comprador virtual de carteirinha. “Na web encontro maior variedade de produtos e preços mais atrativos. Além disso, tenho a comodidade de receber em casa. O problema é quando há demora no recebimento ou quando as características da peça não estão de acordo com o anunciado” , comenta. Apesar disto, Cristiano não teve muitos incômodos com as compras que realizou na web. “Uma vez comprei uma calça que não serviu, mas foi só isso. O restante das minhas aquisições foi bem sucedido”, conta.
A administradora Roberta Silva, 36, também não se recorda de ter tido surpresas desagradáveis. “Já compro em brechós on-line faz mais ou menos dois anos e 100% das vezes fiquei completamente satisfeita. Além de pagar um preço mais camarada pelas roupas, ainda adquiro peças que não encontro em qualquer lugar”, afirma.

Vantagens versus desvantagens
Como principais vantagens das vendas efetuadas entre os brechós online, Erika aponta principalmente o preço, que geralmente é bem abaixo do valor de mercado. “O maior trunfo é sem dúvida o preço. Fui ao shopping esses dias e saí de lá assustada com os valores exorbitantes das peças. Comentei com amigas que estou, de fato, acostumada com os blogs”, comenta. Já para Carolina, do Adoro Brechó, os blogs dão ao consumidor a possibilidade de encontrar peças que nem sempre existem nas lojas em sua cidade e, em diversas situações, são exclusivas e diferenciadas.
Já as desvantagens consistem principalmente na falta de contato físico com o produto, o que acaba dificultando a escolha, uma vez que as fotos nem sempre fazem jus à peça, e trazem o risco do item em questão não servir na nova dona. “Nem sempre a peça cai bem, e mesmo que você peça as medidas à pessoa que está vendendo, tem o caimento, que só dá para ver pessoalmente. Mas essa desvantagem logo vira vantagem quando você abre seu próprio blog, pois você se permite arriscar mais ao saber que, se não servir em você, poderá cair bem em outra pessoa e o seu prejuízo será, mesmo que parcialmente, ressarcido”, afirma Erika.

 

Compre sem riscos

Para quem quer ingressar no mercado virtual de peças novas ou usadas, o DMRevista dá as dicas de como comprar com segurança e comodidade sem receber surpresas desagradáveis

  • Alguns sites medem a confiabilidade dos blogs de venda on-line, como o Sindicato dos Brechós (www.sindicato-brechos.blogspot.com) e o site Busca Brechó (www.buscabrecho.com.br). Lá, o internauta pode ler as opiniões de outros compradores sobre determinado site e se prevenir contra possíveis golpistas.
  • Na página dos próprios blogs existe um espaço destinado para comentários. Lá, o aspirante a cliente pode ler a opinião das pessoas que também gostaram da peça e tirar suas dúvidas sobre o produto. Perguntar nunca é demais para fazer uma boa compra, uma vez que o comprador não terá contato físico com o item até que ele chegue a sua casa.

Como comprar

Siga os passos para efetuar uma boa compra nos brechós on-line

1º passo - Após escolher a peça, deixe um comentário ou envie um e-mail demonstrando interesse. O frete é por sua conta, e pode ser calculado automaticamente através do site dos Correios. Arremata a peça quem chegar primeiro.
2º passo - Você tem 48 horas para realizar o depósito com o valor da peça + frete. Durante este período, o artigo fica reservado para você. Caso não realize o depósito, o item vai para o próximo cliente da lista de espera.
3º passo - Após efetuado o pagamento, o vendedor irá enviar a peça pelos Correios e lhe dará um código de rastreamento, através do qual você pode saber onde o artigo está e a previsão de entrega. A espera pode variar de três a 10 dias, dependendo da distância entre vendedor e comprador.

 

Vale a pena conhecer

www.enjoei.com.br
www.adorobrecho.com.br
www.paratodosbolsosegostos.blogspot.com
www.naouseitovendendo.blogspot.com
www.brechoencantada.blogspot.com
www.secondhandsp.blogspot.com

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