Editorias / Economia
Área de lazer valoriza imóvel em até 20%
Segurança e pouco tempo são fatores para a procura de lares com mais opções de diversão e descanso da família
Vandré Abreu
DA EDITORIA DE ECONOMIA
A falta de segurança nas ruas e a preocupação com os filhos fazem com que famílias procurem apartamentos em condomínios com extensa área de lazer. Os imóveis com estas especificidades são até 20% mais valorizados. Muitos clientes procuram primeiramente as opções de lazer nos empreendimentos para só depois discutir sobre o apartamento em si. Piscina e salão de festas são os itens mais necessários para os novos moradores, segundo corretores de imóveis e moradores.
Pensando na família, o comerciante Cláudio Nogueira Barros e os entes se mudaram de um apartamento no Setor Aeroporto, de uma torre e sem área de lazer, para o Residencial Turquesa, no Bairro Eldorado. A ideia foi afastar um pouco da movimentação da região central de Goiânia e buscar uma moradia mais ampla e arejada, em que pudessem se estabelecer e se divertir.
“As torres são afastadas, temos espaço e convivência com outras pessoas”, conta Cláudio, que ainda completa dizendo sobre o condomínio R$ 30 mais barato em relação ao apartamento antigo. Para ele, a economia familiar veio também com a diversão no próprio empreendimento. “Não vamos mais a clubes ou outras coisas. Passamos finais de semana por aqui mesmo, exceto viagens, como para Caldas Novas”, diz o comerciante.
Gerente de vendas da Toctao Engenharia e GMS, Ediberto Jardim revela que há empreendimentos com até 15 opções de lazer e, mesmo que geralmente o condomínio seja de valor mais alto em função disto, as pessoas não se importam. “Hoje, os cliente procuram pelas crianças, para que elas não tenham de ir para a rua brincar. É a segurança que o empreendimento dá”, avalia.
Segundo ele, as construtoras têm dado atenção às áreas de diversão, pois, muitas vezes, os consumidores dão mais importância a elas do que aos imóveis. Cláudio Nogueira afirma que pode ficar em casa tranquilo vendo televisão enquanto o filho Natan, 16, se diverte na área de lazer. Além disso, há a valorização no preço do imóvel. Ele diz que comprou por R$ 90 mil e hoje as pessoas do condomínio conseguem vender por até R$ 140 mil, uma valorização maior que 20%.
Ao verificar esta valorização, o corretor de imóveis Luiz Cláudio de Araújo, 31, procurou adquirir um apartamento em um condomínio com grande área comum. “Comprei como um investimento, pois vou deixar para locação. A área de lazer foi fundamental para a escolha”, garante. Com a existência da área comum, esta agrega valor ao imóvel e há ganhos no valor do aluguel.
Para Luiz, a valorização é relativa, pois há famílias que preferem pagar um condomínio mais barato e não ter área de lazer, mas normalmente as famílias querem mais espaço para desfrutar da convivência. O corretor diz ainda que preferiu comprar um imóvel mais afastada da região comum, para que o seu locatário possa se incomodar menos com os barulhos. “Eu pensei em comprar com a sacada sem visão para a área de lazer, mas há famílias que preferem o contrário, para que possam sempre observar os filhos”, diz Luiz Cláudio.
Para ele, as procuras por lazer nos condomínios são mais por piscinas e quadras poliesportivas. “Quando se fala de lazer, estamos falando de famílias, então, sempre tem que se adequar a este conceito”, avalia. Alceu Coelho Cardoso, gerente de vendas da imobiliária Provenda, garante até que os itens, hoje em dia, já deixaram de ser diferenciais e se tornaram fundamentais na procura por um novo imóvel.
“As pessoas antes iam aos clubes, mas há o trânsito. Hoje, querem tirar o fim de semana para aproveitar a casa”, reforça Alceu. De acordo com ele, existe também uma preocupação com a segurança da área, pois normalmente são voltadas para crianças.
Leis dos condomínios impedem possíveis exageros
As famílias, segundo Alceu, querem que os filhos estejam a vontade para usufruir do lazer do condomínio e, para isso, não pretendem ter maiores preocupações. Outra questão é a do barulho proporcionado pelas crianças e festas. Por conta disso, as construtoras têm optado por áreas grandes e torres mais afastadas das regiões de lazer. Estes itens possuem cada vez mais peso nas construções.
“A cada produto novo isso aumenta. Nossa intenção é sempre dar respaldo a quem usa a área”, explica Lorena Arantes, engenheira da construtora Borges Landeiro. Lorena cita como exemplo a construção das piscinas distantes ou escondidas do hall de entrada, para dar mais intimidade aos residentes, ou mesmo a guarita construída próxima ao acesso social ou à entrada.
“A gente tenta atingir todos os públicos, para isso faz muitas opções. Pensamos em todas as idades para ter uma área comum para diversos públicos”, assinala. Assim, na construção das áreas comuns, são também analisados o que há disponível na vizinhança e o barulho que possa ser provocado (aumentando o recuo entre as torres, a rua e a área de lazer).
“Todo lugar vai ter confusão. Às vezes, há brigas por conta de barulho, é natural, mesmo em casas isso ocorre”, pontua Cláudio. Ele garante que os exageros são contidos pelas leis dos condomínios e pelo bom senso.
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